Brasil registra um feminicídio a cada 5 horas no 1º trimestre de 2026

Brasil atinge recorde histórico de feminicídios no 1º trimestre de 2026, com 399 vítimas. São Paulo e Minas Gerais lideram os registros. Confira a análise completa dos dados do Sinesp.

Mai 5, 2026 - 14:41
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Brasil registra um feminicídio a cada 5 horas no 1º trimestre de 2026
Protesto contra feminicídios reúne mulheres na Avenida Paulista — Foto: Tuane Fernandes/Reuters

O Brasil registrou, em média, um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos nos երեք primeiros meses de 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que 399 mulheres foram vítimas desse tipo de crime entre janeiro e março, consolidando o período como o mais letal desde o início da série histórica, em 2015.

O número representa um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça uma tendência de crescimento ao longo da última década. Em 2015, por exemplo, foram registrados 125 casos no primeiro trimestre. Desde então, os índices vêm aumentando gradativamente, com picos recentes em 2022 e 2024, agora superados pelos dados de 2026.

As informações são compiladas pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), que reúne dados enviados por estados, Distrito Federal e forças federais. Especialistas apontam que, apesar de avanços legislativos e políticas públicas, o feminicídio segue como um dos principais desafios na área da segurança pública e dos direitos humanos no país.

Distribuição dos casos e estados mais afetados

Entre os estados, São Paulo lidera em números absolutos, com 86 vítimas no período. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 42 registros, Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24).

Por outro lado, Acre e Roraima não registraram ocorrências no período analisado. Já o Amapá apresentou o maior crescimento proporcional, passando de dois casos no primeiro trimestre de 2025 para sete em 2026 — aumento de 250%.

Os dados também revelam a distribuição mensal dos crimes: janeiro foi o mês mais violento, com 142 casos, seguido por março (134) e fevereiro (123).

Cenário preocupante e desafios estruturais

O aumento dos feminicídios ocorre mesmo após a criação de leis específicas e campanhas de conscientização. O crime, tipificado como o assassinato de mulheres em razão do gênero, geralmente está associado a contextos de violência doméstica, relações abusivas e histórico de ameaças.

De acordo com especialistas, fatores como subnotificação de denúncias, dificuldade de acesso a redes de proteção e falhas na aplicação de medidas protetivas contribuem para a escalada dos números. Além disso, há desigualdades regionais que impactam diretamente a capacidade de resposta dos estados.

Recorde recente reforça tendência

O cenário já havia se mostrado preocupante em 2025, quando o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio ao longo do ano, o maior número desde o início do monitoramento. O dado superou o recorde anterior, registrado em 2024, com 1.464 vítimas.

Com o avanço dos números em 2026, cresce a pressão por políticas públicas mais eficazes, ampliação da rede de acolhimento às vítimas e fortalecimento das ações preventivas. Organizações da sociedade civil e especialistas defendem maior integração entre segurança pública, assistência social e sistema de justiça para conter a violência contra a mulher.

O aumento dos casos no início deste ano reforça a necessidade de atenção contínua ao tema, considerado uma das principais violações de direitos humanos no país.

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