O que deveria ser uma ação de cuidado com a saúde se transformou em um pesadelo para dezenas de pacientes em Irecê, no norte da Bahia. A aposentada Cleuza Felíssima Sousa Silva, de 79 anos, teve a vida drasticamente alterada após participar de um mutirão oftalmológico realizado no fim de fevereiro.
Antes ativa e responsável pelo sustento da família com o trabalho no campo, Cleuza hoje enfrenta uma rotina de limitações. Segundo a filha, Cleene Tomaz da Silva, a idosa perdeu completamente a visão de um dos olhos e passou a enxergar apenas vultos com o outro após ser submetida a procedimentos na unidade de saúde.
O atendimento foi realizado no Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom). De acordo com relatos da família, Cleuza desenvolveu uma infecção após a intervenção, e seu estado de saúde tem se agravado desde então.
O caso não é isolado. Mais de 20 pacientes que participaram do mutirão também relataram complicações semelhantes, levantando suspeitas sobre as condições em que os procedimentos foram realizados. Entre os casos mais graves, está o de um homem de 72 anos que morreu cerca de um mês após passar pela intervenção.
A situação gerou preocupação e revolta entre moradores da região, que cobram esclarecimentos e responsabilização. As circunstâncias dos atendimentos e possíveis falhas nos protocolos médicos devem ser investigadas pelas autoridades de saúde.
Enquanto isso, famílias como a de Cleuza enfrentam as consequências de um atendimento que, em vez de devolver qualidade de vida, trouxe dor, incerteza e perdas irreparáveis.