Melatonina em alta: especialistas alertam que dormir bem começa com hábitos, não só com suplemento
O interesse por melatonina cresceu, mas ela não é solução mágica para o sono. Entenda o que dizem médicos do Einstein e Instituto do Sono sobre o suplemento.
O interesse dos brasileiros por melatonina disparou nos últimos anos, mas especialistas alertam que suplementos não são a solução mágica para o sono. Dados do Google Trends mostram que a palavra tem sido cada vez mais buscada, refletindo uma realidade: muitos enfrentam insônia, ansiedade, excesso de telas e rotina desregulada.
Produzida naturalmente pelo cérebro, a melatonina indica ao corpo que é hora de dormir. Porém, hábitos modernos, como usar o celular na cama ou dormir em horários irregulares, prejudicam essa produção e levam muitas pessoas a buscar o suplemento como “solução rápida”.
Para a neurologista e neurofisiologista Natália Longo, a chave está na higiene do sono. “O sono precisa de rotina. Não adianta tomar melatonina e continuar dormindo tarde ou usando telas antes de deitar”, alerta. A especialista lembra que a luz das telas engana o cérebro, que interpreta que ainda é dia, dificultando pegar no sono e acordando a pessoa cansada.
Além de evitar eletrônicos, manter o quarto escuro e silencioso e ter horários fixos para dormir e acordar são mudanças simples que podem melhorar significativamente a qualidade do sono.
Segundo o Instituto do Sono, a melatonina não é um remédio para ‘apagar’: ela ajuda a regular o relógio biológico e é indicada em casos específicos, como jet lag, trabalho em turnos ou alterações do sono em pessoas mais velhas. A psiquiatra Laiane Leite, do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta: “O uso inadequado pode causar sonolência diurna, dor de cabeça, tontura e até agravar quadros de ansiedade.”
Especialistas reforçam que o suplemento sozinho não resolve problemas de sono. Ajustes simples — como evitar cafeína à noite, reduzir estresse e criar uma rotina regular — muitas vezes dispensam a necessidade de melatonina. Quando indicada, o uso deve ser acompanhado por um médico, que define dose, horário e tempo adequado.
“O sono de qualidade começa com hábitos simples e regulares. Cada pessoa reage de forma diferente, e a avaliação médica ajuda a identificar causas como ansiedade, depressão ou apneia do sono”, explica Natália.
O aumento nas buscas mostra que os brasileiros estão cada vez mais preocupados com descanso e qualidade de vida, mas os especialistas lembram: bons hábitos valem mais do que qualquer suplemento.
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