Manu Chao transforma o Carnaval de BH em refúgio acústico com show intimista no Rust Music Bar

Manu Chao traz o show 'Ultra acústico' para o Rust Music Bar no domingo de Carnaval em BH. Confira o repertório, horários e a história do cantor com a capital mineira.

Manu Chao transforma o Carnaval de BH em refúgio acústico com show intimista no Rust Music Bar
Após anos de reclusão e produções independentes no Mali e em Maiorca, o músico escolheu o Brasil como um de seus refúgios criativos nesta década. Mídia/Reprodução: Metropoles

Em pleno domingo de Carnaval, quando Belo Horizonte respira blocos e cortejos pelas ruas, um reencontro promete embalar a madrugada longe dos trios elétricos. O cantor franco-espanhol Manu Chao retorna à capital mineira para uma apresentação única do intimista show “Ultra acústico”, desta vez no Rust Music Bar, no bairro Estoril.

Acompanhado do violonista argentino Matumati e do percussionista espanhol Miguel Rumbao, Manu sobe ao palco às 23h. A casa abre às 21h, com esquenta comandado por Paco Pigalle, parceiro de longa data do artista. Radicado em BH desde 1989, Paco promete ainda um “after party imprevisível” assim que o amigo deixar o palco.

No repertório, clássicos que atravessaram fronteiras e consolidaram Manu como um ícone antissistema devem marcar presença: “Clandestino”, “Welcome to Tijuana”, “Minha galera”, “Bongo bong”, “Me gustas tu” e “Desaparecido”. Mas o formato atual é outro. Longe das megaturnês e das multidões que marcaram o auge do Clandestino, o músico optou por apresentações enxutas, para públicos que raramente ultrapassam mil pessoas.

Aos 64 anos, Manu abraça uma rotina simples e quase caseira. Hospeda-se em apartamentos alugados, evita grandes estruturas e faz questão de ir ao supermercado assim que chega à cidade. “Ele faz o próprio café, que é ruim pra caramba. Mas quer ter a sensação de receber na casa dele”, brinca Paco.

A história de Manu com Belo Horizonte vem de longe. Ele esteve na cidade pela primeira vez em 1992, ainda à frente do Mano Negra, banda que se tornaria referência na world music. O show no estacionamento do Minas Shopping entrou para a memória afetiva da cena local — e teve como banda de abertura um então promissor Skank.

Anos depois, já em carreira solo e à frente do projeto Radio Bemba Sound System, Manu voltou à capital mineira. A conexão rendeu frutos: ele participou de três faixas de “O samba poconé” (1996), disco mais bem-sucedido do Skank.

O sucesso mundial veio com “Clandestino”, em 1998. A projeção global, no entanto, trouxe questionamentos e cobranças. Crítico do capitalismo, Manu foi alvo de ataques por conciliar discurso político e sucesso comercial. Rompeu com gravadoras, afastou-se do mercado e passou temporadas no Mali e em Maiorca, praticamente fora do radar.

Foi apenas no início desta década que decidiu retomar os palcos — à sua maneira. Em dezembro de 2024, voltou a BH para duas noites esgotadas no Galpão 54 e na Autêntica. Agora, retorna em clima de Carnaval, trazendo também faixas de Viva tu, seu primeiro disco em 17 anos. Entre elas, “São Paulo motoboy”, cantada em português, retrata a rotina exaustiva de entregadores na metrópole.

Manu chega à cidade nesta sexta-feira (13/2) e permanece até quarta (18/2). O que fará além do show ainda é incerto. Mas uma coisa é garantida: enquanto BH pulsa nas ruas, haverá um refúgio acústico onde o espírito nômade e contestador de Manu Chao continuará ecoando — agora mais íntimo, mas ainda fiel às próprias convicções.