Lula critica gastos militares e cobra foco no combate à fome em conferência da ONU
Em Brasília, o presidente Lula cobrou responsabilidade do Conselho de Segurança da ONU, criticou investimentos militares e defendeu a paz em discurso na conferência da FAO.
Lula critica gastos militares e cobra foco no combate à fome em conferência da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar, nesta quarta-feira (4/3), o aumento dos investimentos globais em armamentos em detrimento de políticas de combate à fome. A declaração foi feita durante a Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada em Brasília.
Em seu discurso, Lula fez um apelo aos presidentes dos cinco países que ocupam assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para que priorizem ações contra a fome em vez de ampliar despesas militares. Segundo ele, se os valores destinados à compra de armas no ano passado tivessem sido aplicados em políticas alimentares, o problema da fome já teria sido superado no mundo.
O presidente afirmou que há, especialmente na Europa, um debate crescente sobre o fortalecimento de arsenais e investimentos em defesa diante da expectativa de agravamento de conflitos. “Todo mundo quer mais armas, mais bomba atômica, mais drone, aviões de caça cada vez mais caros”, declarou. Para Lula, não haveria fome global caso houvesse maior responsabilidade dos governantes.
Durante a fala, o chefe do Executivo também comentou a situação de Cuba, dizendo que a população enfrenta dificuldades alimentares devido a restrições externas que impedem o acesso a itens básicos. Segundo ele, o problema não decorre de incapacidade interna de produção de energia, mas da falta de acesso a recursos que deveriam ser universais.
Ao abordar os conflitos internacionais, Lula defendeu que líderes mundiais adotem o caminho da paz diante da guerra no Oriente Médio e criticou o que chamou de omissão da ONU por não cumprir os princípios previstos em sua carta de fundação. Na avaliação do presidente, a organização estaria “cedendo ao fatalismo” e abrindo mais espaço a interesses ligados às guerras do que a iniciativas voltadas à paz e ao enfrentamento da fome.
O petista também mencionou o chamado Conselho de Paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que a iniciativa é apresentada como se fosse “um resort”, mas ocorre em meio a cenários marcados por mortes de mulheres e crianças, em referência às vítimas civis da ofensiva de Israel na Faixa de Gaza. Ele questionou se teria valido a pena destruir Gaza para, posteriormente, anunciar planos de reconstrução.
Ao encerrar, Lula afirmou que é preciso se manifestar diante das injustiças. “Se a gente não gritar, não falar e não se mexer, nada acontece”, declarou.


Heloisa Guimarães 



