O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quarta-feira (4) um contundente apelo aos líderes mundiais para que priorizem a paz no Oriente Médio e redirecionem recursos militares para o combate à fome. A declaração foi dada durante a Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada em Brasília.
Em discurso marcado por críticas diretas à comunidade internacional, Lula cobrou posicionamento dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e questionou o que chamou de “foco excessivo no fortalecimento militar”. Segundo o presidente, os cerca de US$ 2 trilhões gastos globalmente com guerras no último ano poderiam ter sido utilizados para enfrentar a insegurança alimentar que atinge 630 milhões de pessoas no mundo.
“Não precisaria ter fome no mundo, se tivesse bom senso entre os governantes”, afirmou. Para ele, recursos destinados à compra de armas, drones e aviões de combate não produzem alimentos e ainda aprofundam conflitos.
O presidente também fez duras críticas à própria ONU, dizendo que a entidade tem perdido credibilidade ao se afastar dos princípios estabelecidos em sua carta de fundação. De acordo com Lula, a organização estaria “cedendo ao fatalismo” e priorizando interesses ligados às guerras em vez de liderar esforços concretos pela paz.
Ao abordar o conflito no Oriente Médio, o chefe do Executivo brasileiro lamentou que, até o momento, não tenha havido uma convocação mais firme da ONU para buscar uma solução diplomática. Ele reiterou que o papel original da instituição é promover cooperação entre as nações e evitar escaladas de violência.
Lula também criticou o chamado “Conselho de Paz” proposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em tom incisivo, afirmou que a proposta é apresentada como uma solução grandiosa, mas surge em meio a cenários devastados por mortes de mulheres e crianças.
“Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para agora aparecerem com pompa criando um conselho para dizer ‘vamos reconstruir’?”, questionou. Segundo ele, iniciativas de reconstrução não podem ignorar as perdas humanas causadas pelos conflitos.
Encerrando o discurso, Lula defendeu maior mobilização internacional. “Se a gente não gritar, se a gente não falar, se a gente não se mexer, nada acontece”, declarou, conclamando líderes globais a substituírem a lógica das armas pela urgência de alimentar quem tem fome.