As torcidas de Flamengo e Corinthians protagonizaram um espetáculo raro e emblemático de civilidade e respeito na capital federal no domingo (1º). O duelo pela Supercopa Rei, disputado na Arena BRB Mané Garrincha, terminou sem o registro de qualquer ocorrência policial envolvendo torcedores, apesar da rivalidade entre os dois clubes com as maiores torcidas do país.
Realizado pelo Metrópoles Sports, o evento reuniu um público recorde no estádio: 71.244 pessoas acompanharam a decisão, muitas delas famílias com crianças, que lotaram as arquibancadas em um clima de festa e segurança. Desde o sábado (31), milhares de flamenguistas e corintianos ocuparam as ruas de Brasília em caravanas, movimentando a cidade e impulsionando setores como comércio, bares, restaurantes e hotéis.
A mobilização da torcida do Corinthians chamou atenção. As organizadas do Timão levaram mais de 100 ônibus à capital federal, com a maioria dos torcedores partindo de São Paulo, especialmente integrantes da Gaviões da Fiel. Do lado rubro-negro, a presença também foi marcante, com muita animação antes da bola rolar, tanto dentro quanto fora do estádio.
Desde a abertura dos portões, o ambiente foi de confraternização. Torcedores das duas equipes cantaram, exibiram bandeirões e mosaicos e ocuparam setores bem delimitados da Arena BRB, sem registros de brigas, invasões ou incidentes violentos. Na chegada das delegações, o respeito seguiu predominando, reforçando o clima positivo do evento.
A organização da partida, conduzida pela Arena BSB e pela Bilheteria Digital, aliada ao robusto esquema de segurança montado pela Polícia Militar do Distrito Federal e pela Secretaria de Segurança Pública, foi apontada como exemplo a ser replicado em outras praças esportivas do país.
Dentro de campo, os únicos “sustos” ficaram por conta do espetáculo futebolístico. Em uma partida intensa, não faltaram dribles, bolas na trave, chances claras, defesas decisivas e muita emoção. Melhor para o Corinthians, que venceu o Flamengo por 2 a 0, com gols de Gabriel Paulista e Yuri Alberto, e levantou a taça da Supercopa Rei.
Fora das quatro linhas, no entanto, o título foi coletivo: torcedores, organização e forças de segurança mostraram que é possível viver grandes clássicos do futebol brasileiro com paz, respeito e festa.