F1 inicia temporada 2026 na Austrália com hegemonia europeia em xeque

A largada da F1 em 2026 coloca à prova a supremacia dos pilotos europeus, que detêm todos os títulos mundiais desde 1997. O texto analisa as causas estruturais dessa concentração de poder esportivo.

F1 inicia temporada 2026 na Austrália com hegemonia europeia em xeque
Ayrton Senna no GP do Brasil em 1991, ano de seu terceiro título — Foto: Pascal Rondeau/ALLSPORT

A temporada 2026 da Formula 1 começa neste domingo no circuito de Albert Park Circuit, em Melbourne, com a disputa do Grande Prêmio da Austrália. A corrida marca o primeiro teste real de forças entre os favoritos ao título, mas também reforça uma estatística que se mantém há quase três décadas: apenas pilotos europeus têm sido campeões mundiais.

Desde 1997, quando o canadense Jacques Villeneuve conquistou o título pela Williams Racing, nenhum competidor fora da Europa levantou o troféu da principal categoria do automobilismo mundial. Antes dele, os últimos campeões não europeus haviam sido os brasileiros Ayrton Senna, tricampeão em 1991, e Nelson Piquet, também tricampeão, em 1987.

Tentativas recentes

No grid atual, o australiano Oscar Piastri foi quem chegou mais perto de encerrar o jejum. Ele liderou o Mundial em diversas etapas na temporada passada, mas perdeu rendimento na reta final e terminou na terceira colocação, atrás do britânico Lando Norris, campeão, e do holandês Max Verstappen, vice.

A hegemonia europeia também se explica pela composição do grid. A maioria dos pilotos é do continente, enquanto apenas sete representam outras regiões. Pelas Américas, estão o brasileiro Gabriel Bortoleto, o argentino Franco Colapinto, o mexicano Sergio Pérez e o canadense Lance Stroll. Pela Oceania, além de Piastri, há o neozelandês Liam Lawson. A Ásia é representada por Alex Albon.

Formação europeia como diferencial

Em entrevista antes da etapa australiana, Bortoleto destacou que a estatística não é mera coincidência, mas reflexo da estrutura do automobilismo europeu.

Segundo o brasileiro, o nível de competitividade nas categorias de base — do kart às divisões como Fórmula 4, Fórmula 3 e Fórmula 2 — é significativamente mais elevado na Europa, especialmente em países como Inglaterra, Itália, França e Alemanha. Isso cria uma barreira adicional para pilotos de outras regiões.

Bortoleto mudou-se para a Itália aos 12 anos para disputar campeonatos de alto nível, como a WSK (World Series Karting), caminho semelhante ao trilhado por campeões como Norris, Verstappen, Lewis Hamilton, Nico Rosberg, Sebastian Vettel e Fernando Alonso.

O piloto brasileiro ressalta que, mesmo após chegar à F1, o desafio se mantém. “Quando você chega aqui, tem muito trabalho a ser feito para ser campeão”, afirmou.

Brasil como potência fora da Europa

Criada em 1950, a Fórmula 1 tem no Brasil o país não europeu com maior número de títulos mundiais, atrás apenas de Reino Unido e Alemanha. São oito conquistas: duas de Emerson Fittipaldi (1972 e 1974), três de Nelson Piquet (1981, 1983 e 1987) e três de Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991).

A abertura da temporada em Melbourne, portanto, não marca apenas o início de mais uma disputa pelo campeonato, mas também renova a expectativa de que um piloto fora da Europa volte a desafiar uma hegemonia que já dura quase 30 anos.