Duas mortes fulminantes e ao menos 20 casos suspeitos de uma doença de rápida evolução levaram o Ministério da Saúde a classificar a situação como Evento de Importância para a Saúde Pública (EISP) no município de São Francisco, no Norte de Minas Gerais. A doença, ainda sem causa confirmada, apresenta sintomas respiratórios e hemorrágicos e tem preocupado autoridades sanitárias pela piora súbita dos pacientes.
Os primeiros registros ocorreram entre os dias 23 e 27 de junho, após encontros sociais realizados na zona rural e urbana da cidade. Três familiares adoeceram após participar desses eventos; dois morreram em pouco tempo e o terceiro sobreviveu após internação. Desde então, mais de 20 pessoas que estiveram nos mesmos locais relataram sintomas semelhantes, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.
As ocorrências estão sendo tratadas como Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Uma força-tarefa com profissionais da Vigilância Epidemiológica de Minas Gerais, da Gerência Regional de Saúde e do Ministério da Saúde foi mobilizada para investigar as causas, com análises laboratoriais e acompanhamento clínico dos casos.
A secretária de Saúde de São Francisco, Andressa Rodrigues, afirmou que medidas emergenciais foram tomadas, como rastreamento de todos os contatos dos infectados, higienização de residências, orientação da população e uso obrigatório de máscaras no Hospital Geral Doutor Brício de Castro Dourado, onde os pacientes estão sendo tratados.
Em uma das vítimas fatais, exames detectaram vírus influenza, mas a possibilidade de uma infecção combinada ou de um novo agente ainda está sendo analisada. “Estamos empenhados em concluir o diagnóstico com o máximo de rigor técnico, sem descartar nenhuma hipótese”, destacou a secretária.
Enquanto não se identifica a causa exata da doença, a Secretaria Municipal orienta que a população adote medidas preventivas contra infecções respiratórias, como:
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Evitar sair de casa se estiver com sintomas gripais.
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Não participar de eventos ou aglomerações.
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Utilizar máscara de proteção.
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Não compartilhar objetos de uso pessoal.
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Higienizar as mãos com frequência.
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Manter os ambientes ventilados.
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Procurar atendimento médico imediato em casos de agravamento (falta de ar, febre persistente, confusão mental ou coloração azulada nos lábios e rosto).
A investigação segue em andamento, com amostras clínicas sendo analisadas em laboratórios estaduais e federais, e os resultados podem levar à reclassificação do risco ou à criação de novos protocolos, caso necessário.