A saída de Jorge Sampaoli do Atlético-MG foi definida ainda na madrugada de quarta para quinta-feira, após o empate por 3 a 3 com o Clube do Remo, na Arena MRV, pelo Campeonato Brasileiro. A demissão marcou o fim de uma relação que já vinha desgastada internamente nas últimas semanas.
O ambiente era considerado insustentável por integrantes da cúpula alvinegra. Na avaliação interna, o treinador havia perdido parte do grupo tanto pelo dia a dia no centro de treinamentos quanto pelas declarações em entrevistas coletivas. Em algumas ocasiões, Sampaoli afirmou que determinados atletas não estavam em boas condições físicas ou não se encaixavam no modelo de jogo, o que gerou desconforto no elenco.
Divergências no mercado e crise por reforços
Outro ponto central do desgaste foi o mercado de transferências. Sampaoli insistia na contratação de nomes específicos que o clube não conseguiu viabilizar — entre eles o volante Matías Galarza, do Talleres. A busca por um primeiro volante se transformou em foco de tensão na Cidade do Galo, sobretudo porque o treinador reprovou diversas alternativas apresentadas pelo departamento de futebol.
Além disso, reforços que chegaram ao clube, como Minda e Cassierra, não contaram com prestígio junto à comissão técnica e tiveram pouca utilização. No caso do atacante colombiano, houve divergência pública sobre sua função: enquanto a diretoria o via como centroavante, Sampaoli entendia que ele atuaria como segundo atacante e chegou a afirmar que o jogador ainda não estava em condições ideais.
As diferenças de discurso entre o treinador e o diretor de futebol Paulo Bracks também ampliaram o ruído institucional, especialmente após o empate com o Remo, quando houve nova divergência sobre a busca pelo volante.
Resultados abaixo do esperado
O desempenho esportivo pesou decisivamente na decisão. Nos últimos 20 jogos, o Atlético conquistou apenas cinco vitórias, muitas delas diante de adversários considerados de menor expressão. Na segunda passagem de Sampaoli, foram 34 partidas, com 10 vitórias, 16 empates e oito derrotas — aproveitamento de 45,1%.
A perda do título da Copa Sul-Americana em 2025 também entrou na avaliação negativa. O vice-campeonato deixou o clube fora da Libertadores pelo segundo ano consecutivo, ampliando a pressão sobre o trabalho.
“Ultimato” e decisão na madrugada
Internamente, o confronto contra o Remo era tratado como decisivo. O Atlético esteve próximo da derrota em casa e só empatou no último lance da partida. O clima no pós-jogo foi de abatimento, com poucos jogadores falando na zona mista.
Ainda na madrugada, a diretoria definiu pela saída do treinador. Horas depois, já na Cidade do Galo, houve reunião para formalizar o rompimento contratual.
O momento da temporada também foi levado em consideração: início de Brasileirão, competições paralelas em disputa, janela de transferências aberta e uma semana cheia de treinamentos pela frente. Após o compromisso contra o Itabirito, o clube terá um intervalo até a próxima rodada, o que foi visto como oportunidade para reorganizar o ambiente e tentar reverter o início irregular no Campeonato Brasileiro.
Com a mudança, o Atlético busca recalcular a rota antes que a distância para os líderes se amplie nas primeiras rodadas da competição.