De leito hospitalar à aprovação em Medicina: jovem paraense vence doença rara e conquista três universidades públicas

Conheça a história de Ítalo Rodrigues, o jovem que superou uma doença rara e passou em Medicina em 3 universidades públicas fazendo o Enem no hospital.

De leito hospitalar à aprovação em Medicina: jovem paraense vence doença rara e conquista três universidades públicas
Instagram/Reprodução Metrópoles

O sonho de vestir o jaleco branco nunca foi tão literal — e tão desafiador — para o paraense Ítalo Cantanhede Rodrigues, de 17 anos. Em meio ao tratamento contra uma doença rara e grave, o estudante conquistou uma façanha digna de aplausos: foi aprovado em Medicina em três das universidades públicas mais concorridas do país — a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade do Estado do Pará (UEPA) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

As aprovações vieram enquanto ele ainda estava internado em um hospital em São Paulo. Ítalo realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dentro da unidade de saúde, graças a uma decisão judicial que garantiu seu direito de fazer a prova em ambiente hospitalar, sob rigorosos protocolos de segurança.

Em maio de 2025, Ítalo recebeu o diagnóstico de aplasia de medula óssea severa, condição rara que compromete a produção de células sanguíneas e expõe o paciente a hemorragias e infecções potencialmente fatais. A rotina de estudos deu lugar a internações, transfusões e incertezas.

O tratamento exigiu sua transferência para a capital paulista, onde passou por um transplante de medula óssea. A doadora foi a irmã mais nova, 100% compatível. O processo incluiu sessões de quimioterapia, isolamento rigoroso e complicações infecciosas que colocaram à prova sua resistência física e emocional.

Com a imunidade extremamente baixa após o transplante, Ítalo estava impedido de comparecer ao local regular de aplicação do Enem. A família recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar que autorizou a realização da prova no hospital. Entre equipamentos médicos e protocolos de esterilização, o jovem transformou o quarto de internação em sala de aula.

Determinante nessa trajetória foi o suporte do Colégio Militar de Belém (CMBel), onde Ítalo concluiu o ensino médio com acompanhamento remoto. Professores e direção organizaram um esquema especial de apoio pedagógico, garantindo que ele mantivesse o ritmo de estudos mesmo durante o tratamento.

A mobilização foi além das aulas on-line. Uma campanha organizada pelo colégio e pela Associação de Pais e Mestres resultou em mais de duas mil doações de sangue e plaquetas. Segundo a família, a corrente de solidariedade não apenas auxiliou Ítalo, mas beneficiou centenas de outros pacientes que dependiam de transfusões.

Aprovado nas três instituições, Ítalo optou pela UEPA, com ingresso previsto para o segundo semestre de 2026. A escolha, segundo ele, tem um propósito claro: retribuir o cuidado que recebeu e contribuir para uma medicina mais humana.

A vivência como paciente redefiniu sua visão sobre a profissão. “Do lado do paciente, eu consegui aprender muitas coisas sobre como agir nessa profissão e como eu quero ser. Vou me dedicar para tratar pessoas que sofreram e estão em situação semelhante à minha”, afirma.

Ainda em recuperação, o jovem aguarda o momento de retornar a Belém para reencontrar amigos e retomar a rotina. Para ele, a conquista é resultado de três pilares: família, fé e propósito. Entre bolsas de transfusão e apostilas, Ítalo transformou a própria batalha pela vida em combustível para salvar outras — desta vez, do outro lado do jaleco.