De irreverência à genialidade: série sobre Ronaldinho Gaúcho estreia na Netflix e revisita carreira marcada por brilho e polêmicas

Estreia hoje na Netflix a série "Ronaldinho Gaúcho". Confira os bastidores do auge no Barcelona, o título da Libertadores pelo Galo e a polêmica prisão no Paraguai.

Abr 16, 2026 - 10:12
Abr 16, 2026 - 10:13
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De irreverência à genialidade: série sobre Ronaldinho Gaúcho estreia na Netflix e revisita carreira marcada por brilho e polêmicas
A série revela como Ronaldinho lidou com o isolamento e como o futebol, mais uma vez, foi seu refúgio, mesmo em uma quadra de prisão. crédito: Netflix/divulgação // Estado de Minas

A câmera percorre uma sala repleta de troféus até encontrar um dos maiores nomes da história do futebol mundial: Ronaldinho Gaúcho. Entre Bolas de Ouro e medalhas, o ex-jogador não perde a chance de exibir seu humor característico. Ao ser convidado para uma foto, responde aos risos: “Vou fazer que nem aquela das bundas”, relembrando uma imagem icônica que viralizou em 2014 e ajudou a consolidar seu perfil irreverente fora dos gramados.

É com esse equilíbrio entre carisma e talento que a minissérie “Ronaldinho Gaúcho”, que estreia nesta quinta-feira (16) na Netflix, apresenta um retrato amplo do craque. A produção, no entanto, vai além do lado descontraído e mergulha na trajetória do jogador duas vezes eleito melhor do mundo pela Fifa, dono de uma habilidade que encantou narradores como Galvão Bueno e companheiros de equipe ao redor do planeta.

Entre eles está Lionel Messi, que recebeu de Ronaldinho o passe para marcar seu primeiro gol pelo Barcelona — um dos momentos simbólicos revisitados na série. Depoimentos de nomes como Neymar, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Carles Puyol e do técnico Luiz Felipe Scolari ajudam a reconstruir uma carreira repleta de conquistas — e também de controvérsias.

Dirigida pelo uruguaio Luis Ara, especialista em produções esportivas, a série foi estruturada em três episódios. O primeiro, “Eu tinha um sonho”, aborda a infância em Porto Alegre e a vida familiar. O segundo, “O melhor do mundo”, acompanha o auge na Europa, com passagens por clubes como FC Barcelona e AC Milan. Já o terceiro, “Disseram que eu estava acabado?”, revisita o fim da carreira e o retorno ao Brasil.

O capítulo final ganha um tom especial ao destacar a relação de Ronaldinho com Belo Horizonte, cidade que ele próprio define como uma das mais marcantes de sua trajetória. Foi com a camisa do Atlético Mineiro que o jogador viveu um dos momentos mais celebrados de sua carreira recente: a conquista da Copa Libertadores de 2013.

A passagem pelo clube é lembrada por personagens como o atacante e o ex-presidente Alexandre Kalil, que destaca o espírito improvável do elenco campeão. A série também resgata a conexão emocional do jogador com a torcida atleticana, especialmente durante o período em que sua mãe enfrentava um tratamento contra o câncer.

Apesar do acesso ao protagonista, o diretor revela que conquistar sua confiança foi um desafio. Reservado, Ronaldinho fala pouco, mas de forma direta. Quando se aprofunda menos, entram em cena familiares como o irmão e empresário Roberto de Assis Moreira, que ajuda a contextualizar episódios delicados.

Um deles é a prisão no Paraguai, em 2020, quando os dois foram detidos por uso de documentos falsos. O episódio, tratado na série, mostra um Ronaldinho que, mesmo em meio à crise, recorre ao futebol como refúgio — chegando a vencer um torneio de futsal durante o período de detenção.

A produção ainda traz olhares externos, como o da jornalista Cristina Cubero, que acompanhou de perto sua trajetória no futebol europeu e destaca uma característica marcante: a tendência de evitar conflitos.

A série também toca, ainda que brevemente, no lado empreendedor do ex-jogador. Projetos como o selo musical “Tropa do Bruxo” e a nova gravadora internacional mostram um Ronaldinho que segue ativo, reinventando sua imagem longe dos gramados.

Entre risos, dribles e episódios controversos, “Ronaldinho Gaúcho” propõe um retrato multifacetado de um dos jogadores mais talentosos — e imprevisíveis — da história do futebol.

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