O Clube Atlético Mineiro inicia uma nova fase com a chegada do técnico argentino Eduardo Domínguez. Aos 47 anos, ele assume o comando do Galo para sua primeira experiência no futebol brasileiro, com a missão de reorganizar a equipe e buscar resultados consistentes em meio a um calendário apertado.
Conhecido como “Barba”, Domínguez estreia neste domingo, às 18h (de Brasília), diante do América Futebol Clube, na Arena Independência, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro.
A contratação ocorre após a demissão de Jorge Sampaoli, desligado no último dia 12 depois do empate com o Remo, na Arena MRV, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão foi motivada por uma sequência irregular neste início de temporada.
Sucesso na Argentina
Domínguez construiu sua credencial recente no comando do Estudiantes de La Plata, onde trabalhou nas últimas três temporadas. No período, dirigiu a equipe em 162 partidas, com 74 vitórias, 43 empates e 45 derrotas — aproveitamento de 54,53%.
Sob sua liderança, o Estudiantes marcou 215 gols e sofreu 145, além de conquistar cinco títulos: Copa Argentina (2023), Troféu dos Campeões (2024 e 2025), Copa da Liga (2024) e Clausura (2025).
Mais do que os números, o treinador ficou marcado pela consistência tática e pela organização coletiva. Costuma adotar o 4-3-3 como base, com variações para o 4-3-1-2 ou 4-2-3-1. Essas formações foram vistas inclusive nos confrontos contra Botafogo de Futebol e Regatas e Clube de Regatas do Flamengo pela Libertadores.
Coletividade e verticalidade
Segundo análises da imprensa argentina e do comentarista Rodrigo Coutinho, Domínguez tem como principal característica potencializar elencos que, tecnicamente, não figuram entre os mais estrelados. Suas equipes costumam apresentar:
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Forte organização coletiva
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Jogo mais direto e vertical
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Intensidade na marcação
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Competitividade elevada
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Menor tempo de posse e maior objetividade
A ideia central passa por, em alguns momentos, priorizar a proteção defensiva antes de acelerar a construção ofensiva. Diferentemente do modelo mais expansivo de Sampaoli, Domínguez tende a reduzir a exposição da equipe, evitando que muitos jogadores fiquem projetados no campo adversário.
Ajustes defensivos
Um dos pontos criticados na passagem de Sampaoli foi a vulnerabilidade defensiva. Em 34 partidas recentes sob seu comando, o Atlético sofreu 38 gols — média superior a um por jogo.
A expectativa é que Domínguez traga maior equilíbrio nesse setor, organizando melhor o bloco defensivo, sobretudo quando a equipe precisar se proteger próxima da própria área.
O encaixe de Hulk
Desde 2021, cada troca de treinador no Atlético envolve debates sobre o papel de Hulk. Ídolo recente do clube, o atacante viveu momentos de oscilação e chegou a atuar mais fixo como referência, função da qual já demonstrou desconforto.
Domínguez costuma trabalhar com um centroavante mais físico, forte no jogo aéreo e no duelo com zagueiros. Hulk, por outro lado, rende melhor com a bola no chão e participando mais da construção.
Ainda assim, a versatilidade e a capacidade de decisão do camisa 7 indicam que o encaixe pode ocorrer, desde que haja adaptação mútua e entendimento tático.
Primeiro desafio
O primeiro teste do novo treinador será decisivo. Após empate por 1 a 1 no jogo de ida, quem vencer o duelo contra o América avança à final do Campeonato Mineiro. Nova igualdade leva a decisão para os pênaltis.
A estreia de Domínguez, portanto, já acontece sob pressão — e marca o início de uma mudança clara nos princípios e no estilo de jogo do Atlético.