Casos de violência contra a mulher aumentam no Sul de Minas em 2025

A violência contra a mulher cresce 1,5% no Sul de Minas em 2025. Poços de Caldas lidera em números absolutos (1.319 casos), e Varginha registra aumento de 17,5%. Veja a análise dos dados.

Casos de violência contra a mulher aumentam no Sul de Minas em 2025
Violência contra a mulher — Foto: Jainni Victória

Os registros de violência contra mulheres seguem em alta no Sul de Minas Gerais. Em dez meses de 2025, foram contabilizados 18.276 casos nos 164 municípios da região. O número representa um aumento de 1,5% em comparação com o mesmo período de 2024 e de 5,2% em relação a 2023, reforçando um cenário preocupante e persistente de violência de gênero.

Os dados mostram que, apesar de avanços em políticas públicas e mecanismos de proteção, a violência doméstica e familiar continua sendo uma realidade recorrente para milhares de mulheres sul-mineiras. Entre os crimes mais registrados estão agressões físicas, ameaças, violência psicológica e o descumprimento de medidas protetivas previstas em lei.

Poços de Caldas lidera em números absolutos

Entre as maiores cidades da região, Poços de Caldas apresentou um dos maiores volumes de ocorrências. De janeiro a outubro de 2025, foram registrados 1.319 casos de violência doméstica e familiar contra mulheres. O número já supera todo o ano de 2024, quando foram contabilizadas 1.288 ocorrências, representando uma média de aproximadamente quatro casos por dia.

De acordo com os dados, os crimes mais comuns no município são agressões físicas, ameaças e o descumprimento de medidas protetivas, o que indica reincidência em parte dos casos e dificuldades no rompimento do ciclo de violência.

Varginha registra maior aumento percentual

Varginha foi a cidade que apresentou o maior crescimento percentual nos registros de violência contra a mulher. Ao todo, foram 1.142 casos entre janeiro e outubro de 2025, o que representa um aumento de 17,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

No município, a violência psicológica aparece como o crime mais frequente, seguida por ameaças, lesões corporais e agressões físicas. Especialistas destacam que a violência psicológica, muitas vezes silenciosa, tende a ser subnotificada, o que pode indicar um cenário ainda mais grave do que os números oficiais revelam.

Redução em Pouso Alegre e Passos

Em contrapartida, duas importantes cidades da região apresentaram redução nos registros. Em Pouso Alegre, foram contabilizados 1.123 casos de violência contra a mulher entre janeiro e outubro de 2025, número 25 inferior ao registrado no mesmo período de 2024.

Os crimes mais comuns no município foram lesão corporal, ameaça, violência psicológica e perseguição, indicando que, apesar da queda, a diversidade de formas de violência segue sendo um desafio para a rede de proteção local.

Já em Passos, os registros somaram 900 casos em dez meses, 16 a menos do que em 2024. As ocorrências mais frequentes envolveram agressão física, lesão corporal, ameaça e violência psicológica.

Cenário regional preocupa

Apesar da redução pontual em alguns municípios, o crescimento geral no Sul de Minas reforça a necessidade de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às mulheres. Organizações de defesa dos direitos das mulheres destacam a importância da ampliação de campanhas educativas, do acesso à informação sobre canais de denúncia e do funcionamento efetivo da rede de atendimento, que inclui polícia, saúde, assistência social e Judiciário.

Os dados também evidenciam a importância do cumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, já que o descumprimento aparece entre os crimes mais recorrentes, especialmente nas cidades com maior número de registros.

Especialistas alertam que o enfrentamento da violência contra a mulher exige ações contínuas, integradas e de longo prazo, envolvendo o poder público e a sociedade, para que os números deixem de crescer e as mulheres possam viver com mais segurança e dignidade.