Carnaval acende alerta para ISTs em BH e Minas, com aumento de casos de sífilis
Casos de sífilis crescem em BH. Veja onde retirar camisinhas e fazer testes de HIV durante o Carnaval 2026, além de onde encontrar PEP e PrEP na capital mineira.
O clima de festa e descontração que marca o carnaval também traz um alerta importante para a saúde pública: a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Em Belo Horizonte, a preocupação é ainda maior diante do aumento dos casos de sífilis registrados no último ano. Dados do painel epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) apontam que a capital contabilizou 5.444 casos em 2025, contra 5.127 no ano anterior. Em todo o estado, os registros passaram de 23.262 para 23.521 no mesmo período.
Segundo o infectologista Alexandre Moura, da Santa Casa BH e professor da Faculdade Santa Casa BH, a sífilis continua sendo um desafio por se tratar de uma infecção de fácil transmissão e difícil controle. “Não existe vacina, e mesmo após o tratamento a pessoa pode se reinfectar”, explica. A doença é causada pela bactéria Treponema pallidum e é transmitida principalmente por relações sexuais, inclusive pelo sexo oral, além da transmissão da mãe para o bebê durante a gestação — situação que preocupa especialistas pelas graves consequências ao recém-nascido.
Embora o tratamento seja simples e eficaz, feito com penicilina benzatina disponível no SUS, Moura ressalta que a reinfecção é comum quando parceiros não são tratados simultaneamente. “Muitas vezes há vergonha ou medo de expor o parceiro, o que dificulta o controle da doença”, afirma. O uso correto do preservativo em todas as relações sexuais segue como principal forma de prevenção.
Além da sífilis, especialistas chamam atenção para outras ISTs que costumam ser silenciosas, como HPV, clamídia e hepatites virais. “A pessoa pode não apresentar sintomas e continuar transmitindo a infecção”, alerta o infectologista Marcelo Cordeiro, consultor médico do Sabin Diagnóstico e Saúde. Segundo ele, a estratégia mais eficaz atualmente é a prevenção combinada, que reúne preservativos, vacinação, testagem regular e profilaxias medicamentosas, como a PrEP e a PEP contra o HIV.
Para enfrentar o aumento do risco durante o período carnavalesco, a Prefeitura de Belo Horizonte intensificou as ações de prevenção. De acordo com a infectologista Cíntia Parenti, da Coordenação de Saúde Sexual e Atenção às IST/Aids e Hepatites Virais, haverá distribuição de preservativos internos e externos, gel lubrificante, autotestes de HIV e material informativo em pontos estratégicos da cidade, como Mercado Central, Praça Tiradentes, Praça da Estação e Praça Rui Barbosa, das 10h às 16h.
Além disso, equipes atuarão nos cortejos dos blocos e nos desfiles das escolas de samba. A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) estará disponível nas UPAs da capital, enquanto a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) terá um ponto especial de atendimento no Centro de Referência das Juventudes (CRJ), no hipercentro, durante todo o carnaval.
Em nível estadual, a SES-MG também reforçou a mobilização. Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi, mais de 5 milhões de preservativos masculinos, 60 mil femininos e 600 mil sachês de gel lubrificante serão distribuídos em Minas, além de ações educativas e incentivo à vacinação contra hepatites e HPV.
Especialistas reforçam que aproveitar o carnaval com segurança é possível. O uso de camisinha em todas as relações, a vacinação, a testagem regular e o acesso às profilaxias disponíveis no SUS são medidas fundamentais para reduzir a transmissão das ISTs. “No carnaval, aumenta o número de parceiros e de contatos. Por isso, é preciso redobrar a atenção”, resume Alexandre Moura.
Em meio à alegria da festa, o recado é claro: cuidar da saúde também faz parte da folia.


Gabriella Nobre 




