Cabana na mata reforça pistas em buscas por crianças desaparecidas no MA
Operação em São Sebastião dos Pretos entra no 13º dia. Veja detalhes sobre a cabana encontrada, buscas no Lago Limpo e a recompensa de R$ 20 mil.
As buscas pelas crianças desaparecidas no quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão, ganharam novos desdobramentos nesta quinta-feira (15/1), quando a operação entrou no 12º dia. De acordo com o secretário de Segurança Pública do estado, Maurício Martins, há indícios de que os menores passaram ao menos uma noite em uma cabana improvisada na mata, conhecida por moradores da região como “casa caída”.
A informação foi confirmada após a reconstituição do trajeto percorrido pelas crianças, baseada nos relatos de Anderson Kauan, de 8 anos, primo das vítimas. Ele desapareceu junto com Isabelle, de 6 anos, e Michael, de 4, no dia 4 de janeiro, mas foi encontrado com vida três dias depois. Com o apoio de cães farejadores, as equipes localizaram a cabana em área de mata fechada, reforçando a hipótese de que o grupo tenha se abrigado no local.
Em entrevista coletiva, Maurício Martins afirmou que as buscas continuarão sem prazo para encerrar. “A operação foi ampliada e seguirá até que as duas crianças sejam localizadas”, disse. Além das varreduras terrestres, a força-tarefa passou a realizar buscas subaquáticas em rios e áreas alagadas próximas à comunidade.
Nesta quinta-feira, o foco das operações se concentrou no Lago Limpo, situado nos arredores da região onde as crianças desapareceram. Quatro mergulhadores do Corpo de Bombeiros participam da ação. Segundo o comandante-geral da corporação, Célio Roberto e Araújo, o objetivo é encontrar qualquer vestígio que possa indicar o paradeiro de Isabelle e Michael.
As autoridades afirmam que diversas hipóteses seguem sendo investigadas, e nenhuma linha de apuração foi descartada até o momento.
No dia do desaparecimento, Isabelle e Michael estavam acompanhados de Anderson Kauan. O menino foi encontrado no dia 7 de janeiro, em uma área de mata a cerca de quatro quilômetros, em linha reta, do local onde o trio havia sido visto pela última vez. Ele estava sem roupas, apresentava sinais de fraqueza, pediu água e perguntou pelo pai. Questionado sobre os primos, disse apenas que eles estariam “mais à frente”.
Anderson foi encaminhado ao Hospital Geral de Bacabal, onde permanece sob cuidados médicos e psicológicos. De acordo com o prefeito da cidade, Roberto Costa (MDB), a criança está com os pais e recebe acompanhamento multiprofissional. Exames periciais realizados descartaram violência sexual, conforme informou o governador do Maranhão, Carlos Brandão.
Desde o desaparecimento, uma grande força-tarefa foi montada e ampliada ao longo dos dias. Atualmente, cerca de 200 agentes das polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros, além de aproximadamente 100 voluntários, atuam nas buscas. A operação conta ainda com helicópteros, drones e cães farejadores.
Após solicitação do governo estadual e da prefeitura, o Exército Brasileiro e a Polícia Militar Ambiental passaram a integrar a ação. Ao todo, 26 militares do Batalhão de Infantaria de Selva e 15 policiais ambientais reforçam os trabalhos.
“O compromisso é não interromper as buscas”, afirmou o prefeito Roberto Costa. “Não iremos parar até encontrarmos a Isabelle e o Michael.”
Desde o dia 9 de janeiro, a prefeitura de Bacabal oferece uma recompensa de R$ 20 mil por informações que levem à localização das crianças. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181 ou diretamente à coordenação da força-tarefa no município.
Passados 12 dias, o desaparecimento de Isabelle e Michael segue cercado de mistério, enquanto familiares, moradores da comunidade quilombola e equipes de segurança mantêm a esperança de encontrar respostas — e as crianças — o mais rápido possível.


Gabriella Nobre 


