O Brasil registrou, em apenas um ano, a perda de mais de 1 milhão de matrículas na educação básica. Os dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que o total de estudantes caiu de 47,08 milhões em 2024 para 46,01 milhões em 2025.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, dois fatores explicam o encolhimento: a redução da população em idade escolar nos últimos anos e a queda nos índices de repetência, com mais alunos sendo aprovados consecutivamente. “Essa queda nas matrículas é um dado bom”, afirmou o ministro, ao argumentar que há menos crianças e adolescentes fora da escola.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, classificou o momento como histórico. “Estamos muito próximos de universalizar a educação básica. É a primeira geração que pode dizer, com segurança, que estamos todos na escola”, declarou.
Apesar da avaliação positiva do governo, o “raio-X” do Censo revela pontos de alerta — especialmente no ensino médio, que atingiu em 2025 o menor número de alunos de toda a série histórica do século XXI. No total, as matrículas nessa etapa caíram 5,39%, passando de 7,79 milhões para 7,37 milhões.
A rede pública foi a mais impactada, com retração de 6,3% (de 6,75 milhões para 6,33 milhões de alunos). Já a rede privada teve leve alta de 0,59%, mas insuficiente para compensar a perda geral.
São Paulo lidera a queda: em apenas um ano, o estado perdeu 251.987 alunos no ensino médio — uma redução de 13,6%. Entre todas as unidades da federação, apenas Amapá, Distrito Federal e Pernambuco registraram crescimento nas matrículas dessa etapa.
A tendência histórica mostra que o ensino médio, que já teve pico de 9,16 milhões de estudantes em 2004, agora opera no menor patamar em mais de duas décadas.
Outras etapas também apresentam retração. A educação infantil perdeu 205 mil matrículas (-2,17%), sendo 200 mil apenas na pré-escola. O país segue longe das metas do Plano Nacional de Educação (PNE): apenas 39,7% das crianças de 0 a 3 anos estão na creche (meta era 50%), e 93,4% das de 4 e 5 anos frequentam a pré-escola (meta era 100%).
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) também encolheu 5,8%, com destaque para a queda de quase 130 mil matrículas no ensino médio da modalidade. Já o ensino técnico subsequente — realizado após a conclusão do ensino médio — registrou a maior retração proporcional: 16,25% a menos, o equivalente a 161 mil estudantes.
O ensino fundamental teve diminuição mais discreta, de 195 mil matrículas (-0,75%), impacto menor devido ao grande volume total de alunos nessa etapa.
Especialistas apontam que parte da queda está ligada à transição demográfica, com menos crianças nascendo e menos adolescentes na faixa etária escolar. Ainda assim, o desafio permanece: ampliar o acesso à educação infantil e fortalecer políticas de permanência no ensino médio.
Enquanto o governo celebra a aproximação da universalização, os números indicam que o sistema educacional brasileiro passa por uma transformação estrutural — com menos alunos, mas também com a necessidade de garantir qualidade e inclusão em todas as etapas.